POLÍTICA

Bolsonaro critica Lula por petista ter pedido soltura de sequestradores de Abílio Diniz
Ex-presidente admitiu ter conversado com Fernando Henrique Cardoso e Renan Calheiros sobre o crime, ocorrido em 1989


Foto: JOSÉ DIAS /PR

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou, nesta segunda-feira (20), as declarações dadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o sequestro do empresário Abílio Diniz.

"Alguém tem ideia de por que o Lula falou do sequestro do Abílio Diniz ou não? Ninguém sabe disso não?", questionou Bolsonaro durante conversa com apoiadores, no Palácio do Alvorada, em Brasília. "Ele deu um recado para todos os narcotraficantes e bandidos do Brasil que 'estamos juntos'. Entenderam? É só isso aí!", completou.

De acordo com Bolsonaro, os sequestradores cometeram um erro. "Sequestraram uma pessoa, 60 e poucos dias depois, sequestraram o Abílio Diniz. Havia um pedido de resgate de US$ 30 milhões e aí foi que esses meninos cometeram um equívoco. Um sequestro é planejado. Ninguém vai sequestrar o João ali e ver quem é o João, ver onde ele mora, a rotina da vida dele, onde vai ser o cativeiro, como vão ser as negociações", disse o presidente.

No último sábado (18), Lula admitiu que procurou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no fim de 1989, para pedir a soltura de dez pessoas envolvidas no sequestro do empresário. O petista disse, ainda, que conversou com o então ministro da Justiça, Renan Calheiros [atualmente senador], para que os sequestradores saíssem da prisão.

O caso aconteceu em 11 de dezembro de 1989. Diniz foi sequestrado no Jardim Europa, área nobre em São Paulo, e ficou seis dias mantido em um cativeiro no bairro do Jabaquara, na zona sul da capital paulista. Entre os sequestradores, cinco eram chilenos, dois eram canadenses, dois eram argentinos e um era brasileiro. O grupo chegou a ser condenado, e as penas variavam de 26 a 28 anos de prisão.

Segundo Lula, ele alertou FHC sobre o fato de os sequestradores terem iniciado uma greve de fome e pediu ao ex-presidente que os libertasse para evitar que morressem por causa disso. "Eles iam entrar em greve seca, que é ficar sem comer e sem beber. Aí, é morte certa. Eu então fui procurar o ministro da Justiça, Renan Calheiros, que depois de uma longa conversa me disse para falar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, porque ele teria toda disposição de mandar soltar o pessoal", detalhou Lula, em um evento em Maceió.

"Eu disse: 'Fernando, você tem a chance de passar para história como um democrata ou como o presidente que permitiu que dez jovens que cometeram um erro morressem na cadeia, e isso não vai [se] apagar nunca'", acrescentou o petista. Segundo ele, FHC teria dito que concordava com a libertação dos presos desde que eles parassem com a greve de fome.

"E eu fui na cadeia no dia 31 de dezembro conversar com os meninos e falar: 'Olha, vocês vão ter de dar a palavra para mim, vocês vão ter de garantir pra mim, que vão acabar com a greve de fome agora e vocês serão soltos. Eles respeitaram a proposta, pararam a greve de fome e foram soltos. E eu não sei onde eles estão agora", acrescentou o petista.


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