ECONOMIA

Entenda por que os preços do diesel e da gasolina não param de subir
Estoques mundiais baixos, defasagem do valor cobrado no país em relação ao exterior e desvalorização do real fazem pressão


Foto: Ricardo Moraes/ Reuters.

A cotação do petróleo no mercado internacional e o câmbio não vão dar trégua à economia brasileira nos próximos meses e devem continuar a pressionar o preço dos combustíveis, segundo analistas. A tendência é que a oferta de petróleo e seus derivados, como a gasolina, continue descolada da demanda. Assim, com mais compradores do que vendedores e também com a moeda americana valorizada em relação ao real, a expectativa é de alta de preços nos postos.

No Brasil, onde os reajustes acontecem em linha com as oscilações externas, novos aumentos da gasolina e do óleo diesel são esperados. O último foi concedido nesta semana pela Petrobras e outros devem estar por vir. A gasolina ficou 7% mais cara e o diesel, 9,2%. No ano, os dois acumulam alta de 73% e 66%, respectivamente. Segundo importadores, ainda há uma defasagem entre os valores cobrados pela estatal e os preços negociados nos principais centros de comercialização do mundo. A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) calcula uma diferença, na média dos portos nacionais, de 11% para a gasolina e de 13% para o óleo diesel.Com esse cenário, de preços internos inferiores aos negociados em outros países, não há perspectiva de importadores competirem com a Petrobras no mercado interno de combustíveis. As importações somente vão acontecer em dezembro caso a petrolífera informe, novamente, não ter capacidade de atender toda a demanda.

Neste mês de outubro, a Petrobras chegou a informar às distribuidoras que não importaria combustíveis para complementar o consumo projetado para novembro. As importadoras viram na comunicação da estatal uma oportunidade de substituir parte do seu suprimento. Mas, segundo o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, no fim das contas, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou que não há risco de desabastecimento e que a oferta da Petrobras será suficiente para cobrir os pedidos das distribuidoras.




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