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Entenda reação rara a medicamento que deixou bebê com corpo coberto por queimaduras, em Goiás
Cirurgião-plástico explica que síndrome é grave e pode acontecer com pessoas em qualquer idade. Helena, de 1 ano, teve mais de 70% do corpo queimado e está em UTI de hospital


Helena Cristina, de 1 ano, está intubada em UTI do Hugol após sofrer queimaduras devido a reação a medicamento - Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

A bebê Helena Cristina, de 1 ano de vida, que teve mais de 70% do corpo coberto por queimaduras após tomar um medicamento anticonvulsivante, está em estado grave e segue, nesta sexta-feira (17), intubada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) , em Goiânia, sem previsão de alta. Os médicos avaliaram que ela tem quadro de necrólise epidérmica tóxica (NET), que é uma reação grave e rara, também conhecida como síndromes de Lyell e Steven-Johnson.

O cirurgião-plástico Fabiano Arruda, que supervisiona a unidade de queimados do Hospital de Urgências Governador Otávio Lages de Siqueira (Hugol), onde Helena está internada, explicou um pouco sobre a condição:

"É uma reação autoimune [em que o corpo produz anticorpos que atacam o próprio corpo] . Os anticorpos reagem 'jogando' a pele para fora. [...] Ela se solta de forma extensa, geralmente de mais de 60% do corpo”.

O médico explicou que, como a pele se solta, assim como em uma queimadura causada por causas externas, o paciente tem mais tendência à desidratação e outras infecções. Por isso, precisa ficar coberto com os curativos apropriados e sob cuidado intensivo.

“É importante ter um suporte adequado para que o organismo reaja e evolua de forma satisfatória. Com a medicação e com o tempo, o paciente vai se livrando [da substância que causou a reação] e se regenerando”, completou.

Fabiano disse ainda que cada caso evolui de uma forma, mas que, em geral, “é como se fosse uma queimadura superficial, que tem a tendência de ter uma boa evolução”.

Ainda de acordo com o médico, o tratamento é feito, geralmente, com esses curativos para proteger a pele e aplicação de imunoglobulina (uma proteína usada nesse tipo de caso) para “atuar contra os anticorpos e recuperar mais rápido".

O especialista lembrou que a reação é rara. O G1 questionou sobre a probabilidade de uma episódio como esse acontecer, às 12h15, e aguarda retorno.

Também segundo ele, a situação pode acontecer com pessoas em qualquer idade, não há exames que identifiquem a probabilidade de alguém ter ou não essa resposta e que não há uma substância específica que leva a esse resultado.

“Infelizmente não tem um teste laboratorial para prever esse tipo de situação. Ocorrendo, o primeiro passo é suspender a medicação [que causou a reação] e procurar assistência médica imediatamente”, alertou.

O médico lembrou ainda que, geralmente, é uma reação que evolui rapidamente e que, quando se torna perceptível, a ação autoimune já está acontecendo há algum tempo, por isso é tão importante que não se demore a procurar ajuda.

Caso Helena

Helena e a família vivem em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Pai dela, Hugo Cristiano Penno da Silva contou que a filha começou a apresentar convulsões aos 5 meses de vida. Por causa disso, ela foi avaliada por diversos neurologistas até que começou a tomar anticonvulsivos.

A família não informou se as convulsões são causadas por alguma doença ou condição e qual seria esse diagnóstico.

A estratégia adotada pela médica, de acordo com Hugo, foi dar três remédios inicialmente e fazer a retirada gradativa.

“Quando ela estava tomando só um, um encefalograma apontou um tipo diferente de descarga e a médica prescreveu outro medicamento. Ela tomou só durante três semanas e depois começou a apresentar essa reação”, contou.

O nome e o laboratório do medicamento não foram divulgados, por isso a reportagem não conseguiu pedir uma posição sobre a reação.

No entanto, até que as reações fossem ligadas ao efeito do medicamento, os pais tiveram que passar por uma peregrinação por hospitais anapolinos.

“Primeiro fomos a UPA, ela estava com febre e o médico disse que era uma virose. No outro dia voltamos, a febre não passava e ela começou a ficar vermelha. Fomos a outro Cais e a diagnosticaram com rosácea”, disse o pai.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Anápolis informou que os procedimentos adotados "durante as duas consultas da paciente, nos dias 3 e 4 de setembro, seguem corretamente os protocolos adotados pela unidade".

Após isso, a menina foi receitada com antibióticos, mas os problemas continuaram. Segundo Hugo, na última sexta-feira (10), ela começou a soltar a pele do rosto e aparecer bolhas pelo corpo. Foi quando os médicos conseguiram diagnosticar a situação como reação à medicação


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